Em seu “mundo feito canção”, o sambista Caio Martinez apresenta o seu primeiro disco solo, Coisas Nossas. A circulação do projeto foi contemplada pelo FAC/RS. O primeiro show desta turnê de descentralização aconteceu em São Borja em fevereiro de 2015, dentro do 48º Concurso Regional de Músicas de Carnaval Apparicio Silva Rillo.
 “Não poderia haver espaço mais adequado e especial para abrir a circulação do espetáculo do que o Concurso de Sambas e Marchinhas Aparício Silva Rillo. Em sua 48ª edição, é um dos festivais de música mais antigos do estado. Inusitado por tratar de Música Popular Brasileira em uma região cerne do nativismo e revelador por mostrar que a tradição do samba é tão forte aqui no Sul”, comenta o músico.
A turnê teve shows em Pelotas, na Biblioteca Pública Pelotense; em Porto Alegre, no bairro Restinga, integrando a programação municipal do 24h de Cultura; e em Maquiné,  na Praça Municipal.
Composto por 13 canções autorais, Coisas Nossas é um álbum genuíno de samba e sua sonoridade e mensagem prestam um verdadeiro tributo ao considerado o principal gênero musical do País. Assim como conclamam os versos de O morro há de socorrer, faixa que abre o CD, e Se eu morrer amanhã, número 3.

coisas nossas

“E o lirismo onde andará?
E o bom verso cadê?
Está pedindo socorro e o morro há de socorrer
Nem tudo está perdido, o samba tem sua glória
É parte da história, nunca será vencido”

(Caio Martinez)

Martinez também faz referências a uma das inspirações dos sambistas clássicos, a boemia, nas músicas Voando baixo (faixa 2), Recado (faixa 8) e Malandro (12ª). Outras letras são por demais sentimentais, como Coração, Noite da Alegria, Com ares de paixão e a melodramática Não tem jeito.
As questões sociais também se mostram preocupação do artista, ao pintar o cotidiano. O compositor aborda a pobreza, a fome, exploração do trabalho doméstico e de “uma fé que não tem fim” na canção Valentia. Sobre crianças de rua e exploração infantil, faça dos “malabares do moleque”, do “loló dos pequenos” e da “pureza da menina”, em Carnaval das ruas. Os temas cotidianos influenciam as últimas faixas: Quem avisa amigo é e O tempo é seu.